Foi um momento engraçado. Quero dizer, tão engraçado quanto dá para ser esse tipo de situação. Eu tinha visto uns clipes sobre o Michael Jackson enquanto andava no shopping, mas era dentro de uma loja e eu não entraria lá para tão somente ver sobre o que falava (mesmo porque, não sou/era fã dele). Então, eventualmente, cheguei em casa. Fui recepcionado pela minha gata. E quando eu ia em direção ao banheiro, fui interrompido pela minha irmã.
- Sabe quem morreu?
Odeio jogos de adivinhação, então...
- Não.
- Michael Jackson.
Minha primeira reação foi “oh”. Minha segunda reação foi “ah”. Minha terceira, “aah”. Seguida de “er”. Depois, “hmm”. Então, “bom...”. E...
- Ele não ia... Fazer alguma coisa? Tipo um álbum?
- É! Ele ia sair em turnê.
Foi aquele momento mágico onde o tempo se desdobra e você pensa com mais clareza. Então, pensei nas palavras mais profundas e sábias que eu poderia dizer naquele momento:
- Que droga ser ele.
Ok, tinha sido um mau dia, dá um desconto.
É muito esquisito. Eu só lembrava que ele existia porque ele era citado numa música do Leo Imai (é em japonês, não sei o que ele fala, só entendo quando ele diz "Michael Jackson", o que sempre me fazia rir).
Quero dizer, quem imaginou que ele morreria? Lógico, TODOS morrerm no fim das contas, mas... Quem se daria ao trabalho de fazer um “scenario case” com a morte dele? (Além da família dele, claro) “Hm, caso o Michael Jackson morra, podemos...” ou “Affz, se o Mike morresse, não daria para...”. Bom, talvez as pessoas que tem o álbum Dangerous assinado por ele. “To Zé Ninguém, with Love, Michael Jackson”. Eles agora podem vender esses entulhos por milhares de dólares no eBay!!!
São os pequenos grandes detalhes da vida que nunca levamos a sério. Sempre achamos que eles estarão lá, porque... Eles estavam lá o tempo inteiro, droga! Nunca imaginamos que o Michael morreria. Nunca imaginamos que os Estados Unidos venceria a Espanha num jogo de futebol. Nunca imaginamos que Farrah Fawcet... Na verdade, nem lembrava que ela existia até outro dia, quando anunciaram o casamento dela... De qualquer forma...
(Será que a Madonna vai morrer também?)
Comecei a imaginar as coisas que consideramos irrelevantes demais para levarmos em consideração. E imaginei o dia que o Lemmy Kilmister do Motörhead morrer. Primeiro lugar, que só saberei disso meses depois (afinal, o Jornal Nacional não vai noticiar isso no horário nobre). Depois... Minha provável primeira reação seria... “oh”. Minha segunda reação foi “ah”. Minha terceira, “aah”. Seguida de “er”. Depois, “hmm”. Então, “bom...”. E...
- Ainda bem que eu fui em todos os últimos shows dele...
P.S.: No dia que o Lemmy morrer, provavelmente só a Kiss vai noticiar... Se alguém, por acaso, estiver ouvindo quando isso acontecer, me dá um toque, ok?
Vociferado
por Shimura-Aniki
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