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Fins ~The End is the Beginning is the End~

<sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 

A luz entrou pela janela, sol estava raiando, iluminando o estéril e vazio quarto do hospital. Eu estava ali há quanto tempo? Uma hora? Um dia? Um mês? Tinha perdido a conta... Ou tinha parado de contar? Ou queria esquecer quanto tempo tinha passado? Esquecer o tempo... Quanto tempo eu ainda tinha? Quanto tempo até...
- Não.
- Não o quê?
- Não, eu não vou morrer. Eu estou bem.
- Claro que está, afinal, tá dopado até os ossos.
- Tenho certeza que não é nada. Eu vou sair dessa.
- Negar não vai mudar diagnósticos e resultados de exames, você sabe.
Como tinha chegado até aquele ponto? Quando foi que tudo começou a dar errado? Por que eu não tinha percebido que tinha passado o ponto onde não há mais retorno?
- Não é justo.
- O mundo não é justo, você deveria estar acostumado.
- NÃO É JUSTO! Por que eu?
- Por que não você? Você é que não se cuidou.
- Todos os dias, pessoas fazem coisas piores e estão aí, vivendo...
- Por quanto tempo? Mas prossiga! Sinta ira de si mesmo, odeie o mundo, culpe os outros. Já está se sentindo melhor?
Olhei para fora da janela. Queria correr. Para onde? Não sei. Para o horizonte. Para longe. Ver tudo aquilo que eu não vi, porque deixei para depois.
- Eu queria viver o suficiente para...
- Para o quê?
- Não sei... Mudar...
- Todo ano você disse que mudaria. Qual a diferença agora?
- Só mais um pouco... Fazer as coisas que eu deixei para mais tarde...
- Acho que é tarde demais para fazer acordos.
O mundo se tornava menor. Menos colorido, menos vivo. A luz que vinha da janela era fria. Não havia calor. Ou era eu que não o sentia? O mundo parecia deserto. Estava deserto. Desolador. Solitário. Vazio.
- Acho que... Eu só queria ter... Não sei, feito alguma diferença... Mudado o mundo... De alguma forma...
- Essa é uma noção errada. As pessoas pensam que para mudar o mundo, precisam ser mártires ou heróis. O simples fato de viver, de simplesmente existir, já muda o mundo, muda as pessoas.
- Mas eu não mudarei mais nada a partir de agora.
- O mundo seguirá em frente sem você. Você viverá enquanto seu legado existir. Enquanto você for lembrado. Essa é a verdadeira imortalidade.
- Não serve muito de consolo quando não se fez muito.
- E ficar deprimido não vai te deixar mais saudável. Não importa no que você acredita, mas lembre-se que a existência é cíclica, o fim é só um novo começo.
Olhei para fora de novo. Havia crianças brincando. Insetos voando e flores desabrochando. Sim, o mundo seguiria sem mim, e seguiria muito bem. Minha jornada estava chegando ao fim, mas ainda não tinha terminado.
- Vou sair daqui.
- É mesmo?
- Eu vou morrer, mas ainda não morri. Quero aproveitar o tempo que me resta... E não conseguirei aqui dentro.
- Entendo.
- Algum último conselho?
- Alguns. Não tenha arrependimentos. Não olhe para trás. Viva o agora. Aceitar a morte é aceitar a vida. Só teme a morte aqueles que não vive. Se for dirigir, não beba.
Contra ordens médicas, eu saí do hospital. Nos dias seguintes, fui a lugares que nunca antes visitei, comi coisas que achei que nunca comeria e vi pessoas que jurei que não mais veria. Encontrei minha paz de espírito, ela estava dentro de mim o tempo inteiro. Em meus últimos dias, mudei um pouco mais o mundo, para melhor, espero. Não importa o que há depois. Só importa que o fim é um novo começo.

Vociferado por Shimura-Aniki
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