A trilha sonora sempre foi uma parte muito importante em filmes e novelas. As músicas dramatizam a cena, tornando mais importante e destacável para o telespectador. O sutil som de fundo, quase imperceptível na cena de suspense, a agitada música cheia de percussão em uma cena de tiros, os instrumentos de sopro na cena majestosa. Elas nos prendem a atenção, mostrando que aquilo realmente aconteceu e que nada mais foi tão real quanto o clímax da história.
Em minha vida eu sempre penso em trilhas sonoras que possam compor o meu dia a dia. Em momentos de alegria ela me mantém alegre, em momentos de tristeza ela me conforta. Mesmo em momentos de irritação, quase que inconscientemente, penso em uma música “adequada” que, de certa maneira, ajuda a me controlar e seguir em frente. Diferente dos filmes, a música que escolho não me reforça a realidade, mas cria um artifício para encarar a vida de maneira mais fácil. Mas, pela primeira vez, eu percebi que uma música não seria escolhida.
Um velório nunca foi a coisa mais alegre do mundo, principalmente quando se trata de alguém que se tinha consideração. Os personagens principais e coadjuvantes estavam prontos para mais uma cena de minha vida. Ao redor, muita tristeza, que tinha variações entre angústia e saudades, mas o sentimento era o mesmo. O tempo passava devagar e o choro desesperado de uma menina era o destaque do cenário. O final da cena estava chegando e o caixão estava a caminho de seu destino. Todos acompanham ao ritmo em que o carrinho o levava. Durante este percurso de dor, tentei pensar em uma música que me ajudasse a encarar a realidade, no entanto, apenas o silêncio estava comigo. No momento que deixamos o cemitério uma sensação de alívio veio ao meu corpo, mas o silencio ainda estava lá, me fazendo companhia.
Muitas novelas já representaram, ao longo de seus intermináveis capítulos, pelo menos um velório, com ótimos atores mostrando seus sentimentos pelo falecimento do personagem, como se fosse verdade. Estes episódios não diferem muito da vida real, mas o silencio angustiante da verdade acaba se tornando um separador entre a vida e um teatro.
Flow ae! - Markon
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por Anônimo
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