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Pressão

<terça-feira, 6 de maio de 2008 

Carlos Alberto, 45 anos. Homem de família, fiel e trabalhador. No entanto, por mais pacifico que ele é hoje, sabe que já viveu muitas coisas e hoje ele agradece por ter a oportunidade de contar isso a seus filhos. Pessoa de grau intelectual elevado, sempre gostou de filmes, tanto que seguiu carreira de diretor de pequenos filmes institucionais para o governo. Sua percepção entre as coisas, meio psicólogo eu diria, facilitou as coisas para seguir o trabalho que agora é o sustento de seu lar. No entanto, jamais pensaria que agora estaria numa situação como essas.

Carlos abre os olhos. Ele sente uma pequena gota de suor escorrer no canto esquerdo de sua face, entre a orelha e o olho. Observa em volta, como se estivesse procurando alguma coisa, mas sem sucesso, apenas paredes que recebem pouca luz permanecem no local. Carlos prende um pouco a respiração para poder ouvir um pouco melhor. Nada. Apenas o silêncio. O local abafado penetra em sua pele. Com certeza que não é um lugar que pode dizer que é agradável.

Desiste de sua busca. Sabe que terá que ficar lá. De todas as sensações a que mais lhe perturba é o fato de não saber por quanto tempo ficará. Se fosse outra pessoa, provavelmente entraria em desespero, pensa ele, que agradece pelo fato de ter sempre sido racional em sua consciência e isso o está ajudando muito em uma situação como essa.

“Por que está acontecendo isso comigo?” pensa. Ele realmente não lembra de nada que possa ter feito para estar em tal lugar. A luz fraca começa a cansar seus olhos, forçando a fechá-los por um breve tempo. “Poderia estar em casa agora, mas estou preso aqui”. Ironizando a situação ele até dá um breve riso, como se estivesse desabafando, tentando achar algo positivo.

De repente ouve-se um barulho! Uma porta abre, indicando assim que ali não é um local isolado, e sim apenas um espaço criado dentro de uma área maior. Carlos presta atenção. São duas pessoas entrando. Os dois começam a conversar, mas muito baixo, não consegue ouvir direito. Sua apreensão aumenta quando eles aumentam o tom da voz:

- Como está nosso amigo? - Pergunta o primeiro, com um tom de voz calmo, porém imponente.

– Ele está bem, mas não sabemos quanto tempo ficará. – responde o segundo rapaz, com uma voz mais grossa e segura de si.

– Cuide dele. Irei visitá-lo mais tarde no hospital.

– Sim senhor.

Então saem ambos. Carlos volta a ficar sozinho no recinto. Ele não sabe mais se é seguro estar sozinho ou com alguém. Sua ansiedade aumenta um pouco e o local abafado não ajuda a acalmá-lo. Está curioso. Quer saber se eles podem voltar, ou pior, entrar outras pessoas! Ao que parece, ele está em um local mais movimentado do que pensava. O homem escuta ruídos estranhos, não imagina o que está acontecendo para isso ocorrer... Não está gostando nada da situação

Passa algum tempo. Aparentemente está tudo mais calmo. Carlos Alberto recupera parte de sua calma, voltando a ficar apenas apreensivo. Ele ouviu mais algumas vezes o ruído, porém percebeu que não é nada grave, despreocupando-o. Mesmo mais calmo, se encontra ainda no mar de dúvidas. Tentou saber novamente o motivo de estar lá. Nada. Simplesmente não se lembra de nada. Pensa na família. Será que estão todos bem? O que devem estar fazendo agora? Pensa em seu trabalho. Será que está indo bem? Provavelmente sim, afinal eles são os melhores da área e foram bem treinados. Não será dificuldade nenhuma cuidarem de lá sem ele.

Mais dez minutos se foi. O lugar está totalmente calmo. Carlos Alberto não está mais tenso. Ele é até capaz de tentar sair sem ter a insegurança de ser pego novamente. Não, mais que isso. Carlos agora sabe que não será mais pego! Ele analisou todas as possibilidades, de maneira detalhada como sempre e percebeu que não há mais nenhum risco. Para garantir, resolveu esperar mais cinco minutos. Nada! Não aconteceu mais nada! Isso mesmo, agora ele sabe que o incidente finalmente acabou! Ele tomou coragem, se levantou, ajeitou sua roupa, finalmente irá sair! Deu uma última olhada para trás, como se fosse um passado distante. Tentará lembrar sempre como um novo aprendizado de sua vida.

Deu a descarga.

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