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Cores

<domingo, 4 de maio de 2008 

Estava fuçando nos meus favoritos à procura de algo que nem eu sabia direito o que era. A verdade é que estava tudo um tédio e o fato do Palmeiras ser campeão não tinha acrescentado em nada (não sou muito de futebol). Durante essa busca errante, me deparei com um depoimento de uma senhora que me interessou muito. Segue abaixo ele resumido:

LÁPIS COR DE PELE. PELE DE QUEM?

por Denise Camargo

Gostaria de contar-lhes a seguinte história:

Quando meu filho ingressou na escola de educação infantil, chegou aqui em casa certo dia dizendo que queria ser "cor de pele".

Gostaria de informar que somos negros. Meu marido é branco. Nosso filho, mestiço. Não conseguimos entender o desejo dele, pois ele já era cor de pele - foi o que respondi. "Filho, você é cor de pele. Cor de pele negra".

Esse tema rondou a casa por semanas até que um dia fui à escola descobrir o que estava havendo. E, para minha surpresa, o fato era uma mistura de incompetência para a diversidade brasileira vinda da própria professora e, muito fortemente, saída também da Faber-Castell, que tem na sua caixa de lápis de 36 cores uma cor chamada PELE. Que cor é essa?

Um salmão, rosa-claro, rosinha a que o fabricante denomina PELE. Pele de quem, me pergunto? Pele branca, é claro. Não seria legítimo em um país de maioria negra que houvesse também uma cor na caixa de lápis para quem não tem pele branca? (...)

Meu filho está com sete anos agora e já faz tempo que sabe que "marronzinho", como ele mesmo dizia. Mas entendeu nesse exato momento em que quis ser "cor de pele" que vocês o submeteram a um preconceito disfarçado.(...)

Texto completo no blog Vi o Mundo

A indignada Denise, colocou em questão algo que passa desapercebido pela maioria das crianças e de seus pais que compram materiais escolares. Um inocente lápis de cor, que na mão de uma criança o mundo fica mais colorido, pode virar o réu de um processo de grandes proporções pelo simples ato da discriminação.

Em um planeta onde estão exigindo cada vez mais a igualdade do povo e, ironicamente a desigualdade do capitalismo está cada vez mais imponente, mostra que há falta de bom senso da Faber-Castell que define como "pele" apenas aquela cor, ignorando quaisquer outros tipos de cores e raças do ser humano. Esse tipo de conceito pode gerar uma tremenda dor de cabeça para a empresa.

Por um outro lado,
existe um certo exagero de dona Denise ao acusar (superficialmente) a professora, já que o termo cor de "pele" é tão antigo quanto a própria cor. Ela diz que a cor em questão é algo como "salmão" ou "rosinha". Se pararmos para pensar, será que todo o salmão é assim? E, pior se chamar de rosa, que existem também vermelhas e amarelas, mas o assunto não é esse. O fato é que no jardim de infância ou na escola primária que você freqüentou, nenhum dos seus coleguinhas pedia a o lápis "rosa desbotado" ou "Pantone solid coated" e sim o lápis "cor de pele". Claro que a professora deveria saber lidar com esse tipo de situação e fazer uma orientação mais adequada, mas sem maiores informações sobre o que e como foi que a professora falou fica difícil escrever mais alguma coisa.

Dona Denise está pedindo
algo relativamente simples: Que mude nome da cor "pele" das embalagens para algo mais adequado. Mas eu penso que, da maneira que são as coisas no Brasil, deve ser mais fácil a Faber-Castell adicionar a cor "pele negra", alegando que estão sob a lei da cota de afro-descendentes do que retirar a "própria pele".

Flow ae! - Markon

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